Juros altos fazem CBIC reduzir projeção de crescimento da construção para 1,3% em 2025
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou, mais uma vez, as expectativas para o desempenho do setor em 2025. A projeção de crescimento do PIB da construção, que era de 2,3%, foi reduzida para 1,3%. O principal motivo por trás desse corte é o cenário de taxas de juros elevadas, que encarece o crédito e reduz o ritmo de novos investimentos.
Segundo a entidade, o ciclo prolongado de juros altos tem afetado diretamente o setor: pesam tanto no financiamento à produção quanto no crédito imobiliário e no varejo de materiais de construção. Na prática, isso significa menos obras iniciadas, mais cautela das empresas e das famílias e um ambiente de negócios mais desafiador.
Os dados recentes mostram que:
• o PIB da construção recuou em alguns trimestres de 2025 na comparação com os períodos imediatamente anteriores;
• a produção de insumos típicos da construção ficou praticamente estável;
• o varejo de materiais cresceu muito pouco;
• o setor continua gerando empregos formais, mas em ritmo menor do que em 2024.
Mesmo com esse cenário mais duro, a CBIC destaca que o nível de atividade da construção ainda está acima do pré-pandemia e que o setor deve registrar o terceiro ano consecutivo de crescimento. Ou seja, não se trata de uma crise profunda, mas de uma desaceleração em um ambiente de crédito caro.
Por que os juros pesam tanto na construção?
A construção civil é um dos setores mais sensíveis à taxa de juros. Isso acontece por alguns motivos:
• Financiamento de longo prazo: obras e empreendimentos imobiliários exigem crédito de prazos mais longos. Quando a Selic sobe, o custo desse financiamento aumenta, o que desestimula novos projetos.
• Crédito imobiliário e poupança: boa parte do financiamento habitacional no Brasil depende dos recursos da poupança. Com juros elevados e maior competição entre investimentos, o fluxo de recursos e os desembolsos tendem a cair.
• Consumo de materiais: famílias e empresas postergam reformas e ampliações, o que reduz o movimento no varejo de materiais de construção.
Na avaliação da CBIC, a combinação de juros altos, crédito mais restrito e menor apetite ao risco explica o recuo nas projeções para 2025.
Perspectivas para os próximos anos
Apesar da revisão para baixo deste ano, a entidade mantém uma visão relativamente otimista para o médio prazo. A expectativa é de que, com a eventual queda da Selic e a continuidade de programas de habitação e infraestrutura, o setor volte a ganhar fôlego a partir de 2026.
Para empresas da cadeia da construção (incorporadoras, construtoras, fornecedores de materiais e serviços), o momento exige:
• gestão financeira mais rigorosa;
• revisão de portfólios de projetos;
• busca por maior eficiência operacional;
• atenção redobrada às condições de financiamento e às parcerias estratégicas.
Mesmo em um cenário mais apertado, a construção continua sendo um dos motores importantes do emprego e do investimento no país. Entender o impacto dos juros e acompanhar as projeções de entidades como a CBIC é fundamental para planejar os próximos passos.
Fonte: cbic.org.br
