Conheça a nova sede do Google no Reino Unido
O nome “Landscraper” (“paisagem” + “arranha-céu”) foi dado ao edifício pela sua característica mais marcante: ele é mais longo do que o arranha-céu The Shard. Com cerca de 330 metros de comprimento, a construção se estende ao longo da ferrovia de King’s Cross e tem apenas 11 andares, misturando-se com a paisagem urbana em vez de dominá-la verticalmente.
O projeto, assinado pelos renomados escritórios BIG (Bjarke Ingels Group) e Heatherwick Studio, é uma fusão de arquitetura e paisagismo. A estrutura do edifício é notável por incorporar uma série de terraços ajardinados em cascata, que se estendem por toda a extensão do telhado. O resultado é uma enorme área verde no topo, com trilhas para caminhada e vegetação variada, que pode ser acessada pelos funcionários.

Materiais e sistemas de construção
A construção do Landscraper é um show de engenharia e tecnologia.
Estrutura principal: a estrutura é uma combinação de concreto e aço. A parte de concreto é crucial, servindo como base e núcleo para a estabilidade do prédio.
Concreto: foram utilizados painéis pré-moldados de concreto em várias partes do edifício, especialmente nas áreas de transição e em alguns elementos da fachada. Para a fachada do térreo, foi usado concreto reforçado com fibra de vidro (GRC – Glass-Reinforced Concrete), um material conhecido por ser leve, durável e maleável, permitindo a criação de formas complexas.
Sistemas de fôrmas e escoramento: devido à complexidade da forma do edifício, que inclui uma fachada em madeira e vidro, terraços inclinados e diversas saliências, os sistemas de fôrma e escoramento precisaram ser altamente adaptáveis e precisos. As empresas de construção provavelmente usaram sistemas modulares e tecnológicos que permitissem a moldagem de formas variadas e a criação de vãos livres, fundamentais para o conceito de espaços abertos da sede. A construção também se beneficiou do uso de BIM (Building Information Modeling), que facilitou a coordenação e a execução de um projeto tão complexo.
Fachada: a fachada é um dos destaques visuais do prédio. Ela é composta por madeira (Accoya), painéis de vidro e persianas ajustáveis que controlam a entrada de luz e calor, integrando sustentabilidade e design.

Demais curiosidades
Custo: o custo estimado da obra é de £1 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões). Esse valor reflete, não apenas o tamanho e a complexidade do projeto, mas também os materiais de alta qualidade e as tecnologias empregadas para torná-lo uma referência em inovação e sustentabilidade.
Capacidade: a nova sede acomodará cerca de 7 mil funcionários do Google em Londres, consolidando a presença da empresa na região de King’s Cross, que se tornou um polo de tecnologia na cidade.
Sustentabilidade: o edifício foi projetado para ser “ecologicamente correto”. O uso de madeira e o sistema de persianas na fachada, e a inclusão de jardins no telhado contribuem para a eficiência energética. A ideia é criar um ambiente de trabalho que integre a natureza, promovendo o bem-estar dos funcionários.
História do projeto: O design inicial da sede, revelado em 2013, foi descartado pelo cofundador do Google, Larry Page, por ser considerado “chato”. A empresa então contratou os escritórios BIG e Heatherwick para criar o projeto atual, que é muito mais audacioso e inovador, reafirmando a visão do Google de que o ambiente de trabalho deve ser criativo e inspirador.
Por Jefferson Silva, engenheiro e consultor de engenharia da ABRASFE
